Dr. José Hudson Lamego da Silva CRM 20.904 | RQE 12.243

Epidemia de câncer? Alto índice de agricultores gaúchos doentes põe agrotóxicos em xeque

Epidemia de câncer? Alto índice de agricultores gaúchos doentes põe agrotóxicos em xeque

Epidemia de câncer? Alto índice de agricultores gaúchos doentes põe agrotóxicos em xeque

Epidemia de câncer? Alto índice de agricultores gaúchos doentes põe agrotóxicos em xeque

De acordo com o Inca (Instituto Nacional de Câncer), o Rio Grande do Sul é o Estado com a maior taxa de mortalidade pela doença.

O agricultor Atílio Marques da Rosa, de 76 anos, andava de moto quando sentiu uma forte tontura e caiu na frente de casa em Braga, no interior do Rio Grande do Sul.
Seu Atílio foi diagnosticado há um ano com um tumor na cabeça, localizado entre o cérebro e os olhos. Para ele, o câncer tem origem do contato com os agrotóxicos, produtos químicos usados para matar insetos ou plantas dos quais o Brasil é líder mundial em consumo desde 2009.
"Meu pai acusa muito esse negócio de veneno. Ele nunca usou, mas as fazendas vizinhas sempre pulverizavam a soja com avião e tudo", diz Osmar.

O noroeste gaúcho, onde seu Atílio mora, é campeão nacional no uso de agrotóxicos, onde o volume consumido pode ser três vezes maior, pois produtores da região têm abusado das substâncias para secar culturas fora de época da colheita e aumentar a produção.

"Diversos estudos apontam a relação do uso de agrotóxicos com o câncer", diz o oncologista Fábio Franke. 
Um dos principais problemas é que boa parte dos trabalhadores não segue as instruções técnicas para o manejo das substâncias e também não usam proteções adequadas, como máscaras, luvas, óculos, assim ficando expostos.

Segundo o oncologista, a maioria dos doentes vem da área rural, porém os malefícios dos agrotóxicos não ocorrem apenas por exposição direta pelo trabalho no campo, mas também via alimentação, contaminação da água e ar.

Salto no consumo
A comercialização de agrotóxicos aumentou 155% em dez anos no Brasil, apontam os Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS). O número é preocupante, especialmente porque 64,1% dos venenos aplicados são considerados como perigosos e 27,7% muito perigosos, aponta o IBGE.
Estudos apontam que o agrotóxico mais usado no Brasil, o glifosato - vendido com o nome de Roundup e fabricado pela Monsanto - está relacionado aos cânceres de mama e próstata, além de linfoma e outras mutações genéticas.
O Inca , recomenda como solução, o fim da pulverização aérea dos venenos, o fim da isenção fiscal para a comercialização dos produtos e o incentivo à agricultura orgânica, que não usa agrotóxico para o cultivo de alimentos.

OUTRAS NOTÍCIAS